
No Brasil, é claro, não se fala disso - apenas da visita de George Bush -, mas o assunto já preocupa ambientalistas 'nativos' e estrangeiros. O avanço da cana-de-açúcar e outras culturas, para a produção de etanol e biodiesel, promete ser o novo motor da devastação ambiental. Além deste problema, o agronegócio medieval, que é a cana-de-açúcar, vem acompanhada, inevitavelmente, de um tipo de trabalho que, quando não é escravo, é extremamente degradante.
O pesquisador José Maria Ferraz, da área de Certificação de Usinas de Cana-de-Açúcar da Embrapa, alerta para os riscos de o aumento do plantio de cana para produção de etanol ocupar território hoje utilizado pela pecuária e pela soja, "empurrando" estas culturas para novas áreas e aumentando os índices de desmatamento. Ferraz acredito que "é praticamente certo" que isto acontecerá e o desmatamento vai aumentar no Cerrado, sobretudo em Minas Gerais, e na região do "arco do desmatamento", do Pará ao norte do Mato Grosso.
Segundo ele, a Embrapa auxiliou o Instituto de Manejo e Certificação Florestal (Imaflora) a elaborar protocolo para certificação de usinas de álcool, com base em normas internacionais, estabelecidas pela Rain Forest Alliance. As normas foram elaboradas em 1999, mas apenas uma usina, ainda em fase de plantio, em Angélica (MT), está em vias de certificação, de acordo com a coordenadora do programa de certificação agrícola, Marina Piatto. Segundo ela, as maiores dificuldades são o desrespeito às leis trabalhistas (trabalho em condições que contrariam as normas da OIT, sem banheiro, alojamentos, alimentação, remuneração etc adequadas) e ambientais (com desrespeito absoluto ao Código Florestal e desmatamento quase absoluto de Áreas de Proteção Permanente, além do uso intensivo de 'agroquímicos'), sobretudo devido à queimada da palha da cana. O pesquisador lembra que a produção demanda, além de grande extensão territorial, muita água. "Em 2005, a China importou 18 bilhões de toneladas de soja, que exigiram 65 km cúbicos de água. A cana consome ainda mais água", afirma.
Ferraz alerta, no entanto, que há usinas modernas, e cita como exemplo a Usina São Francisco, em Sertãozinho (SP), de 25 mil hectares, com uma produção diária de quase 100 mil litros de etanol, além de açúcar orgânico. "A usina reflorestou áreas degradadas, e hoje 25 espécies de mamíferios que haviam desaparecido da região já podem ser encontrados ali", garante.
No entanto, a regra no país ainda é a colheita manual, precedida de queimada para destruir a palha da cana e facilitar seu corte.
A professora de Sociologia da Unesp, Maria Aparecida de Morais Silva (que trabalha há mais de 20 anos com bóias-frias), afirma que entre 2004 e 2006, 17 trabalhadores morreram em São Paulo, supostamente por exaustão, em lavouras de cana. Segundo Maria, cada trabalhador hoje corta cerca de 12 toneladas de cana por dia, para garantir uma remuneração de pouco mais de um salário mínimo - o piso na última safra foi de R$ 410. Em 1988, a média variava entre 5 a 8 toneladas diárias por trabalhador, por remuneração de 2,5 salários mínimos. Por conta disto, muitos apresentam câncer de pele, problemas graves de coluna e respiratórios (devido à fuligem da queima da palha, que fica acumulada na cana, e é respirada pelos trabalhadores durante o corte), o que limita a 15 anos o tempo de trabalho, ou a "vida útil", dos bóias-frias. "O trabalhador ganha por produtividade, não por tempo de trabalho. Por isto, a maioria se sacrifica", denuncia.
Em 1995, os professores Wagner Vilegas, Mary Rosa Marchi e Rosa Maria Bosso realizaram pesquisa a partir da urina dos bóias-frias, e constataram a presença no organismo dos trabalhadores rurais de mais de 30 substâncias potencialmente cancerígenas provenientes da queima da palha de cana, sendo que 16 destas substâncias foram identificadas com tendo alto potencial cancerígeno. Entre as substâncias estava o benzopireno. A Unesp também constatou que o volume de material particulado (fumaça) nos céus de algumas cidades do interior paulista, durante o período de colheita, é superior até ao volume encontrado na atmosfera da capital São Paulo, devido ás queimadas.
Segundo a Unica (União da AgroIndústria Canavieira de SP), até 40% da área total colhida na última safra, de 6 milhões de hectares, já era mecanizada. A produção de álcool no país foi de 17,5 bilhões de litros, sendo 15,9 bilhões apenas na região Centro-Sul. A produção de cana no Centro-Sul foi de 372 milhões de toneladas.
Marina acredita que a entrada cada vez maior de capital estrangeiro na produção nacional, sobretudo de europeus, que pretendem baixar os níveis de emissão de CO2, pode forçar os produtores nacionais a adotar uma postura sócio-ambientalmente correta. Já Ferraz, aposta no contrário. Para ele, a pressa para substituir os combustíveis fósseis poderá acarretar uma corrida desenfreada por uma produção cada vez maior, às custas do respeito às leis. "Seria preciso um investimento forte em certificação e fiscalização para que a produção crescesse com respeito às leis, mas não vejo nenhum movimento do governo nesta direção", critica. Todos são unânimes em afirmar que o cultivo da cana ainda é praticado "como há 500 anos" na maioria das usinas. Segundo Marina, um setor do agronegócio que está á frente dos demais é o da cafeicultura, mas o resto, ainda engatinha no Brasil.
Um comentário:
FORRAGEM PRODUZIDA A PARTIR DA PALHA DA CANA-DE-AÇÚCAR
A HUMANIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DE CANA
José Abílio Silveira Cosentino & José Luiz Guimarães de Souza
A euforia do setor sucroalcooleiro e a rapidez na expansão da cultura da cana-de-açúcar são recebidas com apreensão e receio por outros setores produtivos, principalmente os consumidores, pela possibilidade de escassez dos grãos, elevação do preço dos mesmos e agravamento das condições sociais e ambientais.
Entretanto, diversos artigos têm sido publicados no sentido de tranqüilizar a todos, mostrando tecnologias para intensificação da produção e ou ganhos em produtividade, como por exemplo, maior utilização da cana-de-açúcar e seus subprodutos na produção de carne nos confinamentos. Por outro lado, intensificam-se as pressões dos órgãos governamentais e não governamentais sobre o setor, no que diz respeito aos aspectos sócio ambientais de interesse aos produtores, trabalhadores e a sociedade em geral, que é representada pelos consumidores.
A integração entre as duas atividades é de extremo interesse para o Brasil pelo peso que representam na sua balança comercial. E é nessa linha de raciocínio, que vamos apresentar as considerações a seguir para justificar o título deste artigo, usando como exemplo o Estado de São Paulo.
Dados do Instituto de Economia Agrícola, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento mostram que a área de pastagens é de 9,7 milhões de hectares (apesar da redução sofrida entre 2005 e 2006, ser de 3,06%), e o rebanho é de 12,65 milhões de cabeças (segundo levantamento de novembro de 2006). Portanto, mesmo com a explosão da ocupação canavieira, a pecuária paulista continua forte. (João Sampaio em artigo no Suplemento Agrícola do jornal “O Estado de São Paulo, em 02 de maio de 2007”).
A cana-de-açúcar ocupa 4,3 milhões de hectares conforme estimativa de safra da Secretaria da Agricultura, e deverá ocupar dentro de cinco anos, uma área de 6 milhões de hectares.
Segundo Rípoli, T.C.C.et al (2004) e Lamonica, H.M. (2005), cada hectare de cana-de-açúcar produz de 9 a 14% de palha (base na Matéria Sêca - MS), que representa aproximadamente 10 toneladas/hectare. Portanto 4,3 milhões de hectares produzem 43 milhões de toneladas de palha, das quais, parte é queimada e parte permanece sobre o solo. Porém, em cinco anos serão 6 milhões de hectares ou 60 milhões de toneladas de palha.
No caso do Estado de São Paulo, para a engorda de bovinos em confinamento, durante 100 dias (para facilitar os cálculos, apenas), utilizando-se 43 milhões de toneladas de palha, seria possível compor a dieta como volumoso, de cerca de 86.000.000 cabeças/ano, ou seja, um número aproximadamente 6,8 vezes maior que o atual rebanho bovino paulista.
Pode parecer exagero, mas vejamos: cada boi magro confinado vai consumir, por exemplo, dieta composta por volumoso (50%) e concentrado (50%), perfazendo um total de 10 kg de MS/dia. Portanto, 5 kg de MS serão fornecidos pela palha da cana, e os restantes 5 kg de MS serão provenientes do concentrado (grãos, farelos, vitaminas e minerais).
Na prática serão aproximadamente, 600 kg de palha e 560 kg de concentrado/boi, em 100 dias de confinamento, considerando a palha com 85% de MS e o concentrado com 90%.
É isso mesmo, 43 milhões de toneladas de palha da cana-de-açúcar, são suficientes para atender às necessidades de 86.000.000 cabeças quanto ao volumoso. Por outro lado, seriam necessárias outras 43.000.000 toneladas de concentrados (base MS), para o balanceamento da dieta desses animais, durante o período do confinamento, de 100 dias.
Podemos facilmente imaginar o que esses números significam do ponto de vista sócio econômico para o Estado de São Paulo, na geração de novos empregos, serviços, comércio de insumos e na maior distribuição de renda, além dos ganhos em produtividade e rentabilidade das propriedades envolvidas. Não podemos deixar de ressaltar, ainda, os ganhos e benefícios proporcionados quanto aos aspectos ambientais.
A integração cana-pecuária, aliada à gestão das propriedades e análise de riscos futuros, pode promover a verticalização da produção de carnes, com qualidade “tipo exportação” ou do tipo da que é produzida nos países do “primeiro mundo”.
São Paulo pode servir de exemplo para o mundo, pois além de ganhar em produtividade e agregação de valor, proporcionará melhor qualidade de vida e maior distribuição da renda aos milhares de produtores rurais que compõem as suas diferentes regiões, muitas delas com forte tradição na pecuária, como é o caso do Oeste Paulista.
Também estará contribuindo para a fixação das famílias na zona rural e atendendo aos princípios da Agroecologia, ou sejam: “produção de alimentos com o aproveitamento de resíduos, evitando desperdícios, promovendo o desenvolvimento auto-sustentável, socialmente justo e ecologicamente correto”.
Os valores apresentados acima, correspondem a 100% do recolhimento da palha da cana-de-açúcar, porém, basta que apenas uma parte seja efetivamente recolhida para compor a alimentação de bovinos, como por exemplo, 50% e ainda assim o resultado é “espetacular”, ou seja: 43.000.000 cabeças/ano, que representa mais de 3 vezes o rebanho paulista e mais de 100% do abate anual de bovinos hoje no país. E isso, utilizando-se apenas metade da palha da cana produzida no Estado de São Paulo.
Usando a tecnologia denominada de “forragem verde hidropônica” ou FVH como é também conhecida, de forma muito rápida (15 – 24 dias) e com baixa necessidade de água, a palha da cana-de-açúcar pode ser transformada em alimento volumoso de qualidade, além de poder ser produzida ao longo de todo o ano.
O restante dessa palha poderá ter outros usos, quais sejam: na cobertura do solo, na Floricultura, Horticultura, Silvicultura, Avicultura, Artesanato, Decoração e na produção de compósitos para uso na construção civil ou outros setores, que serão tema de outros artigos.
Desta forma, milhares de empregos serão criados, colaborando para fixação e manutenção do homem no campo, além de, tornar economicamente viáveis as pequenas propriedades, promover a valorização do produtor rural através da reciclagem de conhecimentos e novas tecnologias e, acima de tudo, contribuir com o setor sucroalcooleiro no sentido do ambientalmente correto e socialmente justo.
Novas áreas, hoje ocupadas pela pecuária de corte ou leite, poderão ser disponibilizadas para produção da cana-de-açúcar ou outras culturas de interesse regional, estadual ou nacional, como: seringueira, reflorestamento com essências nativas, frutas em geral ou eucalipto, entre outras.
O QUE É “FORRAGEM VERDE HIDROPÔNICA” OU “FVH”
A “FVH” ou forragem verde hidropônica é uma tecnologia moderna, “avançada” para nossos sistemas produtivos tradicionais, como a pecuária extensiva, intensiva e até mesmo a agricultura. É chamada de hidropônica, porque é um processo de produção sem uso do solo, e no presente caso, tem a palha da cana-de-açúcar como substrato.
No substrato, é realizada a semeadura utilizando-se 1,0 – 2,0 kg /m², com sementes de milho ou outro tipo, como por exemplo, milho, aveia, soja, cevada, trigo, triguilho, milheto, labe-labe, feijão guandu (tradicional ou o tipo anão), e após 15 - 20 dias já pode ser colhida (substrato+folhas+raízes+grãos não germinados+resíduos dos grãos germinados) e fornecida aos animais ruminantes ou não ruminantes.
A necessidade de água se resume a 4-6 litros/m²/dia, muito inferior a outros sistemas de irrigação tradicionalmente usados. Pode ser feito com regadores ou micro aspersores.
Desta forma, podemos colher o mesmo m² por 18 - 24 vezes/ano, fato esse jamais conseguido nos sistemas produtivos tradicionais, quer sejam, extensivos, semi-intensivos ou mesmo intensivos.
A “FVH” pode ser fornecida “fresca” ou então, ser armazenada na forma de silagem ou na de pré-secado. Os tipos de silos podem ser de superfície, trincheira, “bunker”, ou ainda, “cincho”, todos eles dimensionados conforme a capacidade produtiva de cada propriedade.
Não há praticamente, necessidade de máquinas de grande porte, do tipo das forrageiras “automotrizes” para colheita de 4 ou 6 linhas de milho para confecção de silagem, ou das enormes semeadoras e colhedoras, vagões forrageiros, vagões misturadores, e outras tantas como estamos acostumados a ver na nossa agropecuária e nos confinamentos super dimensionados.
Bastariam algumas máquinas pequenas, como por exemplo, tratores (10 a 30 CV); ancinho enleirador AF 320/8; transportador/cortador de fardos AGRO FORN; mini enfardadeira de câmara fixa AF-60; mini empacotadeira automática AF3, que poderão ser vistas em demonstração no site www.agroforn.com.br . Todas estas máquinas têm custo muito menor que o das máquinas maiores, destinadas ao uso nas grandes áreas.
Os sistemas de produção estariam espalhados pelos milhares de produtores rurais, que já possuem instalações para manejo dos animais, curral, cocho para alimentação e para sal mineral, bebedouros. A produção de animais confinados estaria distribuída por todo o Estado de São Paulo entre os produtores, que forneceriam aos frigoríficos com regularidade, quantidades de animais com qualidade e dentro dos padrões exigidos atualmente.
Frigoríficos, como por exemplo, BERTIN, FRIBOI, MARFRIG, INDEPENDENCIA, MATABOI, todos de grande porte e inúmeros outros de menor porte, ANGELELI, FRIGOL, MONDELI, etc., poderiam ser abastecidos regularmente com animais desse tipo, ou sejam de alta qualidade.
Por outro lado, olhando-se do ponto de vista do conforto animal e das certificadoras, esses animais seriam terminados próximos aos frigoríficos e aos grandes centros consumidores (SP, RJ, PR, MG), com distâncias abaixo de 400 km. Na sua maioria, seriam transportados pelos caminhões boiadeiros nas boas estradas, asfaltadas e bem conservadas, como é o caso de São Paulo, reduzindo o estresse e outros tipos de danos nos animais.
A aquisição desses animais pelos produtores de São Paulo, seria realizada mediante parcerias pré-estabelecidas junto a produtores paulistas e dos estados vizinhos como MG, MS, GO, MT.
A simplicidade na produção e a difícil ocorrência de perdas, aliada à sua alta produtividade, qualidade constante ao longo do ano, baixo custo de produção por unidade de MS, NDT e PB, fazem da “FVH” uma excelente tecnologia para a verticalização da produção de carnes e de leite.
Esta moderna tecnologia proporciona ainda outras vantagens, que passamos a citar abaixo:
Do ponto de vista tecnológico:
• Maior produção por unidade de área e por unidade de tempo;
• Maior número de ciclos produtivos/ano (18 a 24 colheitas/ano na mesma área);
• Produz forragem de elevado valor nutritivo, boa palatabilidade e boa digestibilidade;
• Fácil manipulação do valor nutritivo da FVH com o uso de diferentes tipos de sementes e
ou de substrato;
• Produção constante qualitativa e quantitativa, na maior parte do país, independente das
alterações climáticas;
• Devido à sua qualidade, a FVH é componente facilitador na composição das dietas dos
animais;
• Não necessita de máquinas pesadas ou grande porte, para sua produção;
• Pode ser utilizados no trato de bovinos de corte, leite, ovinos, caprinos, suínos, coelhos,
aves;
• Pode complementar a pecuária extensiva nas adversidades (sêca, geada, pragas),devido
seu ciclo curto de produção (15 a 20 dias);
• Proporciona a produção concentrada de esterco, que poderia ser reaproveitado como
adubo, substrato, ou geração de energia (biogás / biodigestores);
• Proporciona menor gasto de energia pelo animal, pois elimina os deslocamentos dos
mesmos na busca por alimentos e água;
• Sistema de produção da FVH atende às normas da segurança alimentar em todo o
processo;
• Promove a liberação de áreas para outras culturas de interesse da região ou da
comunidade (fruticultura, horticultura, reflorestamentos, etc.);
• Apresenta simplicidade na produção e dificilmente ocorrem perdas;
Do ponto de vista econômico, social e humano:
• Promove o desenvolvimento econômico, social e combate a pobreza e a miséria no
campo;
• Baixo custo por unidade de MS, NDT e PB;
• Possibilita o desenvolvimento auto sustentável e preservação do meio ambiente;
• Permite a inclusão de todos os familiares no sistema de produção, inclusive os mais
idosos;
• Facilita a participação das pessoas com disponibilidade parcial de tempo, como esposa,
filhos, portadores de deficiências, e outros;
• Proporciona maior valorização do homem do campo;
• Colabora na fixação do homem no campo, protegendo-o nas adversidades climáticas;
• Aumenta a produção de alimentos, quer para os animais como para o homem;
• Promove a exploração integrada de atividades mais rentáveis, elevando a renda gerada;
• Permite a produção com regularidade e de forma concentrada, facilitando o
desenvolvimento
de associações, cooperativas e ou micro empresas rurais;
• Possibilita a manutenção da produção de alimentos de origem animal, próxima aos
grandes centros consumidores, sem agravá-la de problemas ambientais;
Do ponto de vista político, educacional e ambiental:
• Possibilita o uso mais democrático da terra;
• Auxilia na viabilização dos assentamentos e vilas rurais em todas as regiões do território
nacional;
• Colabora na redução das desigualdades sociais;
• Promove a educação através da capacitação profissional, difusão e implementação das
novas tecnologias e boas práticas de produção, da gestão dos recursos e
desenvolvimento do comércio justo e solidário, com a participação de todos;
• Promove a concentração das pessoas no campo, facilitando desenvolvimento de
Políticas educacionais, de segurança, saúde, habitação, transporte, esportiva e turismo
rural;
• Promove a cidadania e a valorização profissional do homem do campo;
• Preserva o meio ambiente e os recursos hídricos devido ao baixo consumo de água para
sua produção, além de não necessitar do tratamento das sementes, utilização de adubos,
defensivos e ou agrotóxicos;
• Promove o aproveitamento de resíduos, na redução dos desperdícios de energia e
trabalho com transportes, devido a maior concentração da produção;
• Atende aos princípios da Agroecologia: produção de alimentos, auto sustentabilidade,
aproveitamento dos resíduos e redução no desperdício de alimentos;
• Possibilita a produção de biodíesel a partir dos resíduos dos frigoríficos, resultantes do
incremento no número de animais abatidos;
• Proporciona melhor qualidade de vida, respeitando o meio ambiente;
• Colabora para a não queima da palha da cana, reduz a poluição, melhora a qualidade do
ar, reduz os efeitos nocivos das emissões aos sistemas respiratório e cardiovascular dos
seres humanos expostos às queimadas (CANÇADO, J.E., médico pneumologista,
(Jornal de Piracicaba, 2 de maio de 2007, p. A-5);
• Elimina os efeitos da queimada da palha da cana-de-açúcar no aquecimento global.
Segundo estudos do Professor Carlos Cerri, pesquisador do CENA (Centro de Energia
Nuclear na Agricultura-ESALQ-USP ), cada hectare de cana-de-açúcar não queimado
evita que 1,1 tonelada de carbono seja lançada à atmosfera (Jornal de Piracicaba, 2 de
maio de 2007, p.A-5).
Concluindo, a utilização da FVH ou forragem verde hidropônica, só pode resultar em benefícios para todos aqueles que se inserem no setor sucroalcooleiro, do pequeno produtor ao usineiro, bastando para isso mudar o foco. Em vez de pensar e agir em prol da utilização da palha da cana-de-açúcar unicamente quanto ao aspecto da geração de energia, vamos pensar na utilização dessa mesma palha sob o aspecto “não energético”, usando-a em benefício de todos, produtores rurais ou não, pois quando acontecem as queimadas da palha da cana-de-açúcar, os efeitos nocivos atingem a todos, sem distinção de raça, cor, religião, idade ou classe social.
O mundo exige uma mudança radical na postura de cada cidadão! Façamos a nossa parte! Vamos lutar para que o tanque do nosso veículo se mantenha cheio, mas também a comida na nossa mesa seja farta!
Gostaríamos de terminar com uma frase de Lester Brown:
“ Nós não recebemos a terra como herança de nossos ancestrais,
nós a tomamos emprestada dos nossos filhos!”
Piracicaba, 16 de maio de 2007
www.ecocana.org
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