Caveirinha leu com seus olhos que a terra já comeu, e não acreditou. Analistas afirmaram que o acordo que fez com que o contribuinte brasileiro passe a pagar mais caro pelo gás boliviano foi considerado "uma vitória", e uma demonstração de que a Petrobras "tem dono". Tem, sim: Evo Morales.
Claro que seria impossível simplesmente dizer não, o preço subiria de qualquer jeito - em uma negociação, os dois lados cedem um pouco. O problema é como o abuso é tratado desde o início, com ocupação de refinarias por militares e atos teatrais do tipo, sendo aplaudidos pela "inteligentsia" e por integrantes do próprio "governo" do presidente Mula, como um ato de justiça. Não há justiça. A Bolívia nunca teve infra-estrutura para exploração e produção de petróleo, toda a tecnologia foi instalada pelo Brasil, com dinheiro do contribuinte. O Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol) é obra da Petrobras, que deu à Bolívia uma infra-estrutura e um mercado consumidor para o gás que, de outra forma, seria apenas uma riqueza potencial. Tudo financiado pela viúva, ou seja, pelos brasileiros que pagam imposto para a Petrobras dar dinheiro aos "hermanos" e patrocinar o Framengo. Em contrapartida, a estatal brasileira teria acesso ao gás com preços subsidiados.
Mesmo assim, o contrato incluía a armadilha do "take-or-pay", ou seja: o Brasil tem de pagar pela capacidade máxima de transporte de gás do Gasbol, de 30 milhões de metros cúbicos por dia, embora nunca tenha usado nem 25 milhões de metros cúbicos por dia. Isso é desvantajoso para a Bolívia, que sentava em cima do seu gás desde sempre? Parece piada do Zacarias.
Caveirinha ri. Mas Caveirinha sempre sorri seu sorriso descarnado. Caveirinha é um pândego. Caveirinha ri dos vivos, que continuarão pagando. Morto não paga. Além do mais, em breve, Caveirinha vai virar petróleo, ou gás natural. E vai valer mais do que jamais valeu vivo.
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